De olho na Magrela

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Ela não deixa revelar o nome, mas os rostos tristonhos desses bonecos espalhados pela cidade de São Paulo são obra de uma garota de 24 anos que atende pelo apelido que ganhou quando cursava o primeiro colegial. Conheça Magrela, a grafiteira que pinta inspirada pelo caos.

Porque fazer arte na rua?
Desenhei em todos os momentos da minha vida. Sempre foi minha formade expressão. Comecei a procurar cursos de coisas que eu gostava. Até gastronomia entrou na minha lista. Foi então que achei um curso de graffiti do Rui Amaral e entendi que graffiti não se aprende em curso nenhum. Se aprende na rua, fazendo, na prática. Foi ótimo só pelo fato de conhecer pessoas que já estavam na mesma vibe que a minha, que é a de colar pra rua, mas sem saber como. Fomos juntos, e desde então não parei mais.

Cursa faculdade?
Larguei meu curso de administração porque estava infeliz

Você foi daquele tipo de criança que rabisca a casa toda?
Era o tipo de criança que riscava as paredes da sala, e ainda botava culpa no irmão.

Quem te deu o apelido de Magrela?
Vem do 1° colegial. Era muito magrela, mas hoje não sou mais . Hahahahahaha

Me fale um pouco sobre seus “bonecos”. Quem são eles? Eles tem um universo particular?
Quando comecei a pintar fazia outro personagem. Era completamente diferente do que faço hoje.
Passei a entender a rua, a saber o que é interessante pintar nela. Notei o poder que ela tem em relação a conversa direta com a sociedade. Então mudei naturalmente, e tento mudar até hoje, até morrer. Senão não tem graça, né?

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Mas de onde veio a inspiração para os personagens tristonhos, largados?
Minha inspiração é São Paulo, o caos, e claro, alguns sentimentos pessoais. Acredito que geralmente filtro e expresso, o que as pessoas, os momentos e as notícias me transmitem. Eles ainda não tem um universo particular porque tenho muuuuito o que aprender com o meu trabalho. A única coisa que eu sei é que não quero enfeitar a cidade. Meu objetivo é causar. Gosto quando as pessoas não gostam do desenho. O feio, o torto, o estranho, faz com que as pessoas questionem as coisas. Elas param de fazer o que estão fazendo e tentam entender.

Sua plataforma de trabalho predileta é a rua? Já pixou?
Gosto da rua. Não consigo nem produzir em casa, acho isso um problema, pois o trampo produzido em casa é totalmente diferente da rua. Sou meio hiperativa e a rua me acalma. Nunca pixei. mas adoro pixo… Acho um grito de alerta do ser humano. O pixo é totalmente animal, instintivo. Acho incrível.

Quais seu grafiteiros prediletos no Brasil e no mundo hoje?
Nossa, tem tanta gente boa nesse mundo, principalmente no Brasil. Osgemeos, Pato, Obranco, Cena7, Zito, Sola, Cranio, Speto, Nunca, Finok, Zéfix, Ozi, Sinhá, Titifreak, Nomies, Dalata, Navemãe, Akn, Viché, Bravos, Treco…Tem tanta coisa que gosto, vou ficar aqui horas falando.

Você é de uma geração que começou a trabalhar depois que o graffiti já havia invadido as galerias. O que acha disso? Tudo bem a arte de rua ir para as paredes de endinheirados?
Não tenho nada contra. Acho que as pessoas precisam pagar contas, sobreviver. Mas o que se vende na galeria não é graffiti nem arte de rua. Graffiti é na rua, pra todo mundo ver.

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