.Igual, mas diferente.

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O cenário era o mesmo, mas as cores eram diferentes. Havia muito menos verde e amarelo nas areias de Pipeline quando cheguei para a primeira bateria do Billabong PipeMasters 2015. O idioma oficial por aqui voltou a ser o inglês e a fila do foodtruck brasileiro que vende açaí em Off The Wall, ufa, não fazia mais ninguém passar nervoso.

Não digo que o North Shore da ilha de Oahu esteja vazio, longe disso. Porém, aquela invasão brasileira que emocionou até mesmo o locutor oficial do evento no ano passado, fazendo-o arranhar um português torto no auto-falante, ficou mesmo para a história.

Um papo rápido com o boa praça Miguel Pupo explica tudo: “Acho que agora que já temos um título o pessoal prefere assistir pela televisão, normal”, disse com o sorriso largo de sempre e o cabelo um tanto mais amarelo.”

Dizem que brasileiro não gosta de campeonato, gosta de campeão. Não discordo, mas prefiro pensar que depois de tantos anos na espera por um título, agora é que o jogo vai começar. Atualmente, não temos mais apenas um soldado, mas um exército inteiro para nos representar na água.

Que emocionante ver o veterano Adriano Mineirinho chegar ao evento ainda mais focado (se é que isso é possível) do que de costume. Ele mal pisca ao vestir a lycra.

Que alívio cruzar com Filipe Toledo, tão jovem e já na busca pelo título, conferindo o por-do-sol ao lado da família em Sunset Beach e não enclausurado na casa de seu patrocinador como teve que fazer Gabriel no ano passado durante um longo período de espera por ondas.

E o que dizer de Ítalo Ferreira, que circula com sorriso de orelha a orelha depois de uma estreia de gala na elite do surf competitivo?

Gabriel, não se enganem, é nosso melhor competidor e está concentrado. Pelo que tem feito na praia por aqui eu não descartaria nem por um  minuto uma surpreendente conquista do Bi. O campeão depende da sorte, mas a parte que não depende, nunca brinca em serviço.

O favoritismo é bom, mas bem menos emocionante. Como diria um amigo meu, que também deve estar conferindo tudo pela televisão, essa será talvez a final mais incrível desde Andy Irons x Kelly Slater em 2003.

Até as discussões acaloradas voltaram a rondar a competição. Ao meu lado observando tudo, o controverso diretor de “Sea of Darkness”, Mike Oblowitz e o veterano fotógrafo Pete Hodgson confabulavam em coro enquanto o favorito Mick Fanning saía de um tubo com perfeição: “Acho que a brazilian storm está sendo destruída pelo furacão australiano, hein dona Kátia!”

Olho para Jack Robinson, o fenômeno australiano de 17 anos logo a minha frente, espio Gabriel e Filipe Toledo rindo um para outro em cumplicidade e com bem menos pressão nas costas, vejo Mick sair do mar com vigor de novato e só consigo pensar: É… Dessa vez ninguém arrisca um palpite. Acho que agora é que a história vai começar, e da areia ou da TV, já podemos voltar a torcer pelo surf.