.O OLÉ DO SURF.

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Foto: Igor Hossman

De longe, ao cruzar uma multidão que se acotovelava na calçada lotada até a arquibancada dava para ouvir a torcida: oooooooolé! Dava para ver os batecos de plástico empunhados por marmanjos de boné e loirinhas de shortinhos no “eô, eô Filipinho é um terrorrrrr!”. Parecia Déjà vu da Copa do Mundo, mas era a final do Oi Rio Pro, a etapa brasileira da Liga Mundial de Surf. Filipe Toledo já estava na água contra o australiano Bede Durbidge e eu estava atrasada.

A praia da Barra da Tijuca abarrotada e a estrutura faraônica padrão FIFA, muito maior do que as montadas nas demais etapas do tour, decretavam: o surf pegou mesmo por aqui. Para os mais puristas, pegou até demais, virou mainstream, perdeu a alma e blá blá blá. Falaremos disso por aqui em um segundo tempo.

De cima do palanque a vista lembrava entrada de estádio em dia de pseudofinal imaginária contra a Argentina. Até churrasquinho de gato com cerveja tinha. Milhares de cabecinhas zanzavam para lá e para cá com bandeiras verde e amarela amarradas nos ombros. Antigos apaixonados pelo esporte vibravam incrédulos e espantados lado a lado a um pessoal que gritava “Brasil il il” por qualquer coisa. O grito dobrou especialmente quando o surfista de Ubatuba levou um 10 por unanimidade dos juízes. Um 10 é tipo gol de placa, todo mundo entende. Mas aqui e ali as dúvidas atacavam:”O brasileiro é o de camisa vermelha? Mas porque vermelha?”, indagava um dos turistas de areia sobre a lycra do paulista. Ali ao lado, um torcedor tentava entender com um amigo: ” Prioridade é tipo quando o outro ta impedido, né?”.

A torcida do esporte que é novidade tanto na praia quanto no ao vivo da Globo ainda usa os códigos do campeão de audiência, o futebol. A batida ainda é comemorada com “olé”, o aéreo arranca um “golaaaaaço, garoto” e ao receber o campeão na praia, a muvuca forma um bolinho sobre o atleta, tipo comemoração de time que ganhou nos pênaltis. Ninguém lembrou que, no surf, o vencedor não toca os pés na areia, mas sim é carregado nos ombros até o podium.

O brasileiro, que se apaixona fácil pela vitória, caiu de amores pelo surf depois do título de Gabriel Medina no ano passado. Já aconteceu com o Tênis e com a Fórmula 1, por algum tempo saímos da segunda divisão. O esporte está repleto de craques e a seleção canarinho da Brazilian Storm está formada. Aos poucos, quem passar a rebentação do modismo vai aprender a remar contra a maré dos códigos da bola. Agora, meu amigo, é só torcer pra não aparecer nenhum “alemão” na parada. Que o Filipinho mereceu essa etapa qualquer torcedor de várzea reconhece. Agora se vale ou não vale olé na areia eu já não sei. Pode isso, Arnaldo?