.R.I.P. WALDO VIEIRA.

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Quando cheguei a Cognópolis, em Foz do Iguaçu há 3 semanas para entrevistar Waldo Vieira eu tinha feito a lição de casa. Sabia que era mineiro, formado em medicina e odontologia, que tinha trabalhado com Chico Xavier, que era medium, chamado de paranormal, que havia abandonado o espiritismo para focar os estudos na Projeciologia (experiências fora do corpo), que havia fundado a Conscienciologia  e que tinha um look meio Papai Noel meets Hermeto Pascoal.

Na entrada do campus, que é uma espécie de USP, verde e com prédios que são laboratórios, biblioteca etc… a placa avisa: “Não acredite em nada. Mesmo no que lhe disserem aqui dentro. Experimente. Tenha suas experiências pessoais.”

Cheguei aberta, curiosa, mas com o desconfiometro ligado, seguindo o princípio da descrença da placa na entrada.

O motivo da minha visita era uma entrevista em vídeo para o Netflix, que jajá deve estar no ar. Para isso ficamos dois dias na cidade.  Sugestionada pelas pesquisas pré-gravação e os exercícios de EV que eu estava praticando semanas antes da viagem acordei no segundo dia com a sensação de que tinha conseguido sair do meu corpo enquanto dormia e… dado uma espécie de pirueta, um mortal no ar. Meu momento Daiane dos Santos astral, claro, virou motivo de piada na equipe. Nem eu acreditava naquilo, e não sei dizer até agora se foi sonho ou não.

Após o café da manhã fomos então à uma tertúlia com o professor. O auditório (que lembra o cenário do programa Roda Viva, branco e redondo) estava lotado de estudiosos da Conscienciologia. Eram centenas de pessoas que faziam perguntas de todos os tipos sobre um tópico específico da aula do dia. O ambiente era mesmo de estudo e não de religião como muita gente pensa.

Apesar daquele lugar parecer um mundo paralelo, muito distante da minha realidade de quem não vê espíritos passeando por aí, a primeira impressão que tive de Waldo foi ótima. Divertido, educado, muito disposto apesar dos 83 anos, e sorridente. Ele tirava sarro das coisas, respondia a tudo e fazia questão de não manter uma aura mística sobre sua figura. Quando perguntei, fora da entrevista, porque ele só vestia branco, a resposta foi: “Aprendi quando vivi nos EUA, com o pessoal de Hollywood. Uma figurinista famosa disse que se eu quisesse comprar uns livros raros e caros para os meus estudos tinha que chegar na loja com uma aparência marcante e de limousine, que era para ganhar respeito dos vendedores de nariz em pé. Então deixei essa barba, comprei um terno claro e aluguei o carro, que é mais barato do que muita gente pensa. Aí quando eu entrava na loja era batata. O sujeito me olha e não me esquece mais.” Gargalhou e depois disse: “O branco abre as energias, o preto fecha, sabe como é?”

No final da entrevista, Waldo me chamou de canto, disse que eu estava muito magrinha e sugeriu que fizesse minhas refeições mais devagar. Do nada. Depois, me chamou na sala dele, me mandou sentar, relaxar os ombros e com as mãos na minha testa e na minha nuca fez um arco-voltaico. Pediu então que estendesse os braços e alinhasse a minha mão de frente para a dele. Senti apenas uma espécie de formigamento na ponta dos dedos e um tremor no mindinho. Disse que minhas energias eram muito limpas e que não tinha nenhum obsessor por perto. Perguntei se isso era bom e ele respondeu que era ótimo, sem grandes rodeios. Em seguida, sugeriu que eu voltasse a Cognópolis em uma outra oportunidade para que eu participasse dos laboratórios de projeção pois eu teria facilidade.

No dia seguinte Waldo veio a São Paulo para fazer uma cirurgia no coração. O procedimento foi um sucesso, ele teve alta e voltou a Foz. Na semana passada acordei com a mesma sensação do dia da pirueta maluca, a de um sonho muito real. Me lembrava de ter sonhado com Waldo dizendo que ele tinha se divertido muito na nossa entrevista e que era para guardar bem o vídeo porque ia ser importante. Contei para a equipe, e claro, todo mundo deu risada e sem dar muita bola brincamos que era o espírito do Waldo que saiu do corpo e tinha ido falar comigo.

No final de semana ficamos sabendo que Waldo havia tido um AVC e estava em coma. Na noite de ontem, recebemos a notícia de sua morte (ou como falam em Cognópolis, sua dessoma). De uma forma ou de outra, todos na equipe ficaram chateados porque a experiência havia sido especial. Aquela tinha sido sua última entrevista, pelo menos nessa vida. Não acredito em tudo que Waldo disse ou escreveu, mas acredito em energia e depois desse dia, a placa na entrada do CEAEC (Centro de Altos Estudos da Conscienciologia) nunca fez tanto sentido.

Obrigada pela entrevista, professor, eu também me diverti muito. Nos vemos por aí.

  • http://rodguedes.com.br Rodrigo Guedes

    Genial Kakaos. Nada como a experiência pessoal. Ansioso pelo video. Abs.!

  • Paulo André Norberto

    Excelente!!!

  • Aline Niemeyer

    Que experiência interesssante!!

  • Lucas

    muito legal, obrigado por tudo Waldo, um verdadeiro professor !

  • Daniel Bertolucci

    Aguardamos o vídeo! Grande oportunidade de vida poder ter conhecido o prof. Waldo!

  • http://www.facebook.com/josue.c.oliveira Josué C Oliveira

    Prof. Waldo Vieira… “Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, foi um grande prazer dividir um planeta e uma época com você”.

  • http://500px.com/DecioMartins Decio Martins

    Boa!

  • Marcio Costa

    :,( Quase ofensa usar uma frase do Carl Sagan para exaltar um pseudocientista como Waldo… Lamentável !!!

  • Jarbas Barros

    Quando sairá o vídeo?